Gibran Mendes
Gibran Mendes, 26, assim como seu pai, Ademir Mendes, é jornalista e nunca abandona o Coritiba
Há 17 anos - 07/07/2009 09:00
Gibran Mendes

Se ‘Naquela Mesa’, a música de Sérgio Bittencourt, representava um elo entre ele e seu pai, Jacob do Bandolin, outra mesa, em Pato Branco, interior do Paraná, representou para mim a ligação entre meu pai, o Coritiba e eu. Era uma mesa comprida, em que ele ocupava a ponta. Tratava-se de um ritual sagrado. Dia de jogo, chá de cidreira no fogão, o rádio “postado” a sua frente e a voz de Lombardi Júnior ilustrando cada embate alviverde em nossa imaginação. Ali começava a se desfazer uma dúvida, que começou meses antes que eu nascesse.



- Ieda, será que se este bebê for menino irá gostar de futebol e do Coxa? Perguntava ele para minha mãe, ansioso para saber o sexo da criança que estava para chegar. Até hoje ele não responde com muita confiança se escolheu primeiro meu nome ou comprou a camisa do Coxa que decorava a porta da maternidade* onde eu e minha mãe descansávamos após a exaustiva batalha do parto. Como não sabiam o sexo, o nome não estava decidido. Mas o time sim.



Desde então, passei a conviver com aquele Motorádio que meu pai abraçava com tanta facilidade quanto xingava. Como esquecer a sua fúria quando Régis perdeu o pênalti na final do campeonato paranaense de 1998, ou ainda quando um ano depois, em 1999, deixou o aparelho falando sozinho naquela mesa, virou as costas e saiu para a rua. Cinco litros de chá de cidreira não foram suficientes para acalmá-lo. O resultado foi que sai correndo de casa, gritando pela rua para avisá-lo do gol do Darci, sob o olhar desconfiado dos vizinhos gremistas e colorados.



- Ser Coxa-Branca exige dedicação e paixão. Não basta torcer, tem que participar, me avisou quando voltou de Curitiba para Pato Branco, dez anos antes, em 1989, após ver os dois gols de Tostão em nosso monumental, na final do estadual daquele ano contra o União Bandeirantes.



Por motivos de trabalho, frequentemente meu pai vinha até Curitiba e sempre que possível eu estava junto para irmos ao Couto Pereira ver os jogos do Coxa. Meu primeiro AtleTiba, ganhamos de 3×1, no Couto Pereira. Foi o primeiro clássico depois do famoso chocolate de páscoa. Era a minha parte favorita da viagem, ver o Coxa jogar.



Hoje, devido a alguns problemas de saúde, ele anda afastado do estádio, mas não do Coritiba. Acompanha todas as notícias pela rádio, internet e não perde um jogo pelo pay-per-view. Mas isso não impediu que, no dia 12 de outubro de 2007 (o jogo da foto ao lado), superasse mais uma vez os desafios que lhe foram impostos e acompanhasse a festa de 98 do Coxa. Ao lado de minha esposa, voltei ao Couto Pereira com meu pai depois de sete longos anos. Que alegria! O aniversário era do Clube, mas o presente foi meu. Festa inesquecível da torcida, jogadores comprometidos e um maestro na beira do campo. Keirrison marcou e

garantiu a nossa festa.



E sei que todos os jornais de maio de 2008 quando estampavam a notícia que o Coritiba foi campeão paran aense de 2008 erraram em pelo menos uma informação de suas matérias. Os 2.300 da Baixada que estavam presentes na final, não eram 2.300. Eram, na verdade, 2.301. Porque mesmo sentado ‘Naquela Mesa’, em Pato Branco, ouvindo a final no mesmo radinho, o velho Mendelau estava presente naquele jogo, como um pedaço de mim e sempre estará.



Esta é parte da minha história com o Coritiba. História que passa, necessariamente, pelo meu pai.



Coritiba, 100 anos de glórias. Amor de geração para geração.


Gibran Mendes

Gibran Mendes
Gibran Mendes, 26, assim como seu pai, Ademir Mendes, é jornalista e nunca abandona o Coritiba
Há 17 anos - 07/07/2009 09:00
Gibran Mendes

Se ‘Naquela Mesa’, a música de Sérgio Bittencourt, representava um elo entre ele e seu pai, Jacob do Bandolin, outra mesa, em Pato Branco, interior do Paraná, representou para mim a ligação entre meu pai, o Coritiba e eu. Era uma mesa comprida, em que ele ocupava a ponta. Tratava-se de um ritual sagrado. Dia de jogo, chá de cidreira no fogão, o rádio “postado” a sua frente e a voz de Lombardi Júnior ilustrando cada embate alviverde em nossa imaginação. Ali começava a se desfazer uma dúvida, que começou meses antes que eu nascesse.



- Ieda, será que se este bebê for menino irá gostar de futebol e do Coxa? Perguntava ele para minha mãe, ansioso para saber o sexo da criança que estava para chegar. Até hoje ele não responde com muita confiança se escolheu primeiro meu nome ou comprou a camisa do Coxa que decorava a porta da maternidade* onde eu e minha mãe descansávamos após a exaustiva batalha do parto. Como não sabiam o sexo, o nome não estava decidido. Mas o time sim.



Desde então, passei a conviver com aquele Motorádio que meu pai abraçava com tanta facilidade quanto xingava. Como esquecer a sua fúria quando Régis perdeu o pênalti na final do campeonato paranaense de 1998, ou ainda quando um ano depois, em 1999, deixou o aparelho falando sozinho naquela mesa, virou as costas e saiu para a rua. Cinco litros de chá de cidreira não foram suficientes para acalmá-lo. O resultado foi que sai correndo de casa, gritando pela rua para avisá-lo do gol do Darci, sob o olhar desconfiado dos vizinhos gremistas e colorados.



- Ser Coxa-Branca exige dedicação e paixão. Não basta torcer, tem que participar, me avisou quando voltou de Curitiba para Pato Branco, dez anos antes, em 1989, após ver os dois gols de Tostão em nosso monumental, na final do estadual daquele ano contra o União Bandeirantes.



Por motivos de trabalho, frequentemente meu pai vinha até Curitiba e sempre que possível eu estava junto para irmos ao Couto Pereira ver os jogos do Coxa. Meu primeiro AtleTiba, ganhamos de 3×1, no Couto Pereira. Foi o primeiro clássico depois do famoso chocolate de páscoa. Era a minha parte favorita da viagem, ver o Coxa jogar.



Hoje, devido a alguns problemas de saúde, ele anda afastado do estádio, mas não do Coritiba. Acompanha todas as notícias pela rádio, internet e não perde um jogo pelo pay-per-view. Mas isso não impediu que, no dia 12 de outubro de 2007 (o jogo da foto ao lado), superasse mais uma vez os desafios que lhe foram impostos e acompanhasse a festa de 98 do Coxa. Ao lado de minha esposa, voltei ao Couto Pereira com meu pai depois de sete longos anos. Que alegria! O aniversário era do Clube, mas o presente foi meu. Festa inesquecível da torcida, jogadores comprometidos e um maestro na beira do campo. Keirrison marcou e

garantiu a nossa festa.



E sei que todos os jornais de maio de 2008 quando estampavam a notícia que o Coritiba foi campeão paran aense de 2008 erraram em pelo menos uma informação de suas matérias. Os 2.300 da Baixada que estavam presentes na final, não eram 2.300. Eram, na verdade, 2.301. Porque mesmo sentado ‘Naquela Mesa’, em Pato Branco, ouvindo a final no mesmo radinho, o velho Mendelau estava presente naquele jogo, como um pedaço de mim e sempre estará.



Esta é parte da minha história com o Coritiba. História que passa, necessariamente, pelo meu pai.



Coritiba, 100 anos de glórias. Amor de geração para geração.


Gibran Mendes