Convidado para registrar o meu amor ao Coritiba no link dos consulados do saite de nosso clube, de início vacilei, não quanto à aceitação pois me considerei honrado, mas sim quanto ao que escrever, uma vez que, embora tenha lançado anúncios em três saites, somente dois torcedores coxas-brancas residentes em Porto Alegre se apresentaram ao Consulado e estão cadastrados, número que ainda não permitiu qualquer promoção. Mas como o convite pede que cada cônsul conte um pouco de sua vida como torcedor à distância, lá vão algumas considerações.
Ao contrário do que imagino seja a maioria dos cônsules, sou torcedor sessentão, assistindo meu primeiro jogo aos oito anos de idade, levado ao então Belfort Duarte por meu pai e um tio, ocasião em que derrotamos o extinto Ferroviário. A partir de então passei a acompanhar o Coritiba, inicialmente limitado a glórias domésticas, mas sempre o mais vitorioso. Tive a felicidade de acompanhar pessoalmente as grandes conquistas da fase iniciada em 1968 – ano em que o rival supôs que imagem era tudo – e que se fortaleceram nos anos 70, chegando ao apogeu com a conquista do título nacional em 1985.
Em 1977, por força de atividade profissional passei a morar no Rio Grande do Sul, Estado onde me adaptei em todos os sentidos, menos um, o futebol, pois as raízes fincadas em meu coração pelo Coritiba vieram comigo. A saudade dos familiares era suprida por cartas, telefonemas e visitas que recebia, mas a do Coritiba, naquele tempo em que as comunicações eram ainda limitadas, eram difíceis de superar, salvo através das ondas do rádio, nem sempre bem captadas nas cidades onde morei. Mesmo assim, fazia o possível e o impossível, pedindo a familiares e amigos que mandassem jornais (cheguei a assinar um jornal de Curitiba, mas desisti pois chegava com muito atraso e normalmente em farrapos) e às vezes me deslocava de carro para um ponto alto da cidade onde a recepção era melhor para acompanhar os jogos pelo rádio, tal como ocorreu na emocionante decisão do campeonato estadual de 1979.
Ao final do mesmo ano de 1979, quando morava em Horizontina, na fronteira com a Argentina, não agüentei a ansiedade de saber que o Coritiba e o Vasco fariam a semifinal do Campeonato Brasileiro sem que eu estivesse no estádio. Como o jogo era no dia 12 de dezembro, uma quarta-feira, e compromissos profissionais não permitiam que deixasse a cidade na véspera, transferi obrigações e no mesmo dia 12 ao amanhecer saí de Horizontina com minha Variant II, percorrendo mais de 800 quilômetros por estradas às vezes regulares, outras nem tanto, indo diretamente ao estádio aonde cheguei quinze minutos antes da partida começar e um cunhado me esperava com o ingresso. A imagem do estádio lotado de coritibanos torcendo e vibrando está registrada em minha mente de forma indelével. Só quem já enfrentou uma odisséia semelhante para assistir a um jogo pode entender a emoção de que fui tomado na ocasião e cujo registro jamais desaparecerá da minha lembrança.
E assim por aqui me mantive sempre acompanhando o meu Coritiba e felizmente vendo as comunicações melhorarem, até o grande momento de acompanhar pela televisão a inesquecível conquista de 1985, já então morando em Camaquã, quando a cidade dormiu mais tarde pelo barulho da festa em minha casa e dos foguetes que soltamos. No dia seguinte quem na cidade não sabia passou a saber que a família ali residente era coxa-branca e campeã do Brasil.
Finalmente, morando então em Porto Alegre, vieram as facilidades de comunicação dos últimos anos. Internet disponível para ler os jornais e saites e ouvir as rádios curitibanas, tudo em tempo real, e o bendito “pay-per-view” que passou a permitir assistir a todas as partidas. Claro que nada supre o gosto de estar no nosso estádio, pois o amor pelo time é quase carnal, exigindo contato físico com as arquibancadas, a proximidade do gramado e a torcida, de modo que sempre que vou a Curitiba programa certo é ir aos jogos.
Este um apertado resumo de minha vida coxa-branca à distância. Se alguém entender que por morar longe sou menos coxa do que outros, saiba que está redondamente enganado, pois a distância em nada diminuiu meu amor pelo Coritiba, ao contrário. Aliás, a distância me trouxe um benefício que quem está em Curitiba não tem, qual seja o de ser conhecido em todo o círculo profissional e de amizades que freqüento em Porto Alegre como um torcedor apaixonado, um apóstolo e um cônsul do Coritiba, informal antes da criação e oficialização do cargo, e agora honradamente formal.
Quanto ao consulado, aproveito o espaço ora aberto em nosso saite para novamente convocar os torcedores coritibanos aqui residentes a manter contato a fim de que possamos, juntos, divulgar e fortalecer o nome do Coritiba em terras gaúchas.
Benedito Felipe Rauen Filho
Cônsul em Porto Alegre-RGS
Convidado para registrar o meu amor ao Coritiba no link dos consulados do saite de nosso clube, de início vacilei, não quanto à aceitação pois me considerei honrado, mas sim quanto ao que escrever, uma vez que, embora tenha lançado anúncios em três saites, somente dois torcedores coxas-brancas residentes em Porto Alegre se apresentaram ao Consulado e estão cadastrados, número que ainda não permitiu qualquer promoção. Mas como o convite pede que cada cônsul conte um pouco de sua vida como torcedor à distância, lá vão algumas considerações.
Ao contrário do que imagino seja a maioria dos cônsules, sou torcedor sessentão, assistindo meu primeiro jogo aos oito anos de idade, levado ao então Belfort Duarte por meu pai e um tio, ocasião em que derrotamos o extinto Ferroviário. A partir de então passei a acompanhar o Coritiba, inicialmente limitado a glórias domésticas, mas sempre o mais vitorioso. Tive a felicidade de acompanhar pessoalmente as grandes conquistas da fase iniciada em 1968 – ano em que o rival supôs que imagem era tudo – e que se fortaleceram nos anos 70, chegando ao apogeu com a conquista do título nacional em 1985.
Em 1977, por força de atividade profissional passei a morar no Rio Grande do Sul, Estado onde me adaptei em todos os sentidos, menos um, o futebol, pois as raízes fincadas em meu coração pelo Coritiba vieram comigo. A saudade dos familiares era suprida por cartas, telefonemas e visitas que recebia, mas a do Coritiba, naquele tempo em que as comunicações eram ainda limitadas, eram difíceis de superar, salvo através das ondas do rádio, nem sempre bem captadas nas cidades onde morei. Mesmo assim, fazia o possível e o impossível, pedindo a familiares e amigos que mandassem jornais (cheguei a assinar um jornal de Curitiba, mas desisti pois chegava com muito atraso e normalmente em farrapos) e às vezes me deslocava de carro para um ponto alto da cidade onde a recepção era melhor para acompanhar os jogos pelo rádio, tal como ocorreu na emocionante decisão do campeonato estadual de 1979.
Ao final do mesmo ano de 1979, quando morava em Horizontina, na fronteira com a Argentina, não agüentei a ansiedade de saber que o Coritiba e o Vasco fariam a semifinal do Campeonato Brasileiro sem que eu estivesse no estádio. Como o jogo era no dia 12 de dezembro, uma quarta-feira, e compromissos profissionais não permitiam que deixasse a cidade na véspera, transferi obrigações e no mesmo dia 12 ao amanhecer saí de Horizontina com minha Variant II, percorrendo mais de 800 quilômetros por estradas às vezes regulares, outras nem tanto, indo diretamente ao estádio aonde cheguei quinze minutos antes da partida começar e um cunhado me esperava com o ingresso. A imagem do estádio lotado de coritibanos torcendo e vibrando está registrada em minha mente de forma indelével. Só quem já enfrentou uma odisséia semelhante para assistir a um jogo pode entender a emoção de que fui tomado na ocasião e cujo registro jamais desaparecerá da minha lembrança.
E assim por aqui me mantive sempre acompanhando o meu Coritiba e felizmente vendo as comunicações melhorarem, até o grande momento de acompanhar pela televisão a inesquecível conquista de 1985, já então morando em Camaquã, quando a cidade dormiu mais tarde pelo barulho da festa em minha casa e dos foguetes que soltamos. No dia seguinte quem na cidade não sabia passou a saber que a família ali residente era coxa-branca e campeã do Brasil.
Finalmente, morando então em Porto Alegre, vieram as facilidades de comunicação dos últimos anos. Internet disponível para ler os jornais e saites e ouvir as rádios curitibanas, tudo em tempo real, e o bendito “pay-per-view” que passou a permitir assistir a todas as partidas. Claro que nada supre o gosto de estar no nosso estádio, pois o amor pelo time é quase carnal, exigindo contato físico com as arquibancadas, a proximidade do gramado e a torcida, de modo que sempre que vou a Curitiba programa certo é ir aos jogos.
Este um apertado resumo de minha vida coxa-branca à distância. Se alguém entender que por morar longe sou menos coxa do que outros, saiba que está redondamente enganado, pois a distância em nada diminuiu meu amor pelo Coritiba, ao contrário. Aliás, a distância me trouxe um benefício que quem está em Curitiba não tem, qual seja o de ser conhecido em todo o círculo profissional e de amizades que freqüento em Porto Alegre como um torcedor apaixonado, um apóstolo e um cônsul do Coritiba, informal antes da criação e oficialização do cargo, e agora honradamente formal.
Quanto ao consulado, aproveito o espaço ora aberto em nosso saite para novamente convocar os torcedores coritibanos aqui residentes a manter contato a fim de que possamos, juntos, divulgar e fortalecer o nome do Coritiba em terras gaúchas.
Benedito Felipe Rauen Filho
Cônsul em Porto Alegre-RGS