Sergio Debiazio
O céu é Alviverde
Há 17 anos - 08/12/2008 18:16
Sergio Debiazio

Escrevi esta poesia quando fomos campeões em 1999.

Cito nela o nome do meu pai Adyr que não pode ir ao jogo.

O Coritiba tinha 90 anos e eu 39.


UM CORAÇÃO E AS TRÊS LÁGRIMAS


Queria escrever um poema

Mas farei apenas um desabafo


Era uma tarde fria

o sangue corria para esquentar o coração

Saiu um gol. Um simples gol

Um título

Algo aparentemente normal

Só aparência

Este ato termina um outro longo ato


Quase dez anos que se iniciou a peça

Ou será trinta e nove ou noventa ?

Não sei


Ela foi escrita passionalmente

Certa ou errada

Justa ou não

O que fica é a beleza final


Ela completou um terço de sua existência

Trinta anos de alegria

Poucos conseguem isso

Talvez por isso essas lágrimas saem do meu coração

Da minha alma ou simplesmente dos meus olhos

Que estavam tão amargurados


Me recupero passo a mão no rosto

E olho para traz

Onde está o culpado

Aquele que não precisou me ensinar

Para que eu gostasse dessas cores

Ele não veio


Procuro-o desesperadamente

Não o encontro


Vejo outros da sua idade

Olho no seu semblante e me confundo


As minhas lágrimas se misturam

Com outros Seus Adyres


Brindo por eles

Brindo por você


Falta a terceira lágrima

Esta é a mais doída

A que reflete o nosso país


Na saída do estádio

Um Senhor passa correndo

Atrás de um moleque

Não o alcança

O menino roubou as fitinhas

As fitinhas de Campeão

Que ele vendia


Muito custo para adquiri-las

Muito o que fazer com aquele lucro


E um menino fez talvez

Um Seu Adyr chorar

Um choro de dor

Dor da fome

Dor da perda

Dor do sonho desfeito


Desculpe-me

Pois

Nunca vou deixar de falar ou escrever

O que meu coração derrama.


Saudações


Sonhos


Vida


Dor


Vida


Sempre


 




Sergio Debiazio

Sergio Debiazio
O céu é Alviverde
Há 17 anos - 08/12/2008 18:16
Sergio Debiazio

Escrevi esta poesia quando fomos campeões em 1999.

Cito nela o nome do meu pai Adyr que não pode ir ao jogo.

O Coritiba tinha 90 anos e eu 39.


UM CORAÇÃO E AS TRÊS LÁGRIMAS


Queria escrever um poema

Mas farei apenas um desabafo


Era uma tarde fria

o sangue corria para esquentar o coração

Saiu um gol. Um simples gol

Um título

Algo aparentemente normal

Só aparência

Este ato termina um outro longo ato


Quase dez anos que se iniciou a peça

Ou será trinta e nove ou noventa ?

Não sei


Ela foi escrita passionalmente

Certa ou errada

Justa ou não

O que fica é a beleza final


Ela completou um terço de sua existência

Trinta anos de alegria

Poucos conseguem isso

Talvez por isso essas lágrimas saem do meu coração

Da minha alma ou simplesmente dos meus olhos

Que estavam tão amargurados


Me recupero passo a mão no rosto

E olho para traz

Onde está o culpado

Aquele que não precisou me ensinar

Para que eu gostasse dessas cores

Ele não veio


Procuro-o desesperadamente

Não o encontro


Vejo outros da sua idade

Olho no seu semblante e me confundo


As minhas lágrimas se misturam

Com outros Seus Adyres


Brindo por eles

Brindo por você


Falta a terceira lágrima

Esta é a mais doída

A que reflete o nosso país


Na saída do estádio

Um Senhor passa correndo

Atrás de um moleque

Não o alcança

O menino roubou as fitinhas

As fitinhas de Campeão

Que ele vendia


Muito custo para adquiri-las

Muito o que fazer com aquele lucro


E um menino fez talvez

Um Seu Adyr chorar

Um choro de dor

Dor da fome

Dor da perda

Dor do sonho desfeito


Desculpe-me

Pois

Nunca vou deixar de falar ou escrever

O que meu coração derrama.


Saudações


Sonhos


Vida


Dor


Vida


Sempre


 




Sergio Debiazio