Coluna
Carlinhos Paraíba, Cabra da Peste
Há 18 anos - 16/10/2008 22:01
Coluna

Por Carlos Alberto Pessôa


Fui dos que defendeu a mudança na posição do Carlinhos Paraíba - mais perto da área adversária que da nossa área. A prova dos nove foi contra o Inter; e não vingou. A melhor posição para ele é entre as intermediárias, nem tanto lá nem tanto cá. Pois é armador. Esta velha e rara raça em extinção. 

 

OLD STYLE

 

Carlinhos é meia à moda antiga, tipo Gerson, tipo Didi, tipo Jair Rosa Pinto, tipo... Infelizmente, não há espécimes contemporâneos deste singular gênero. Minha memória não registra.

 

Atenção! Não comparo; classifico apenas, lembro sua família, sua tribo, sua confraria, sua turma. O que é diferente, não?

 

SINAIS PARTICULARES 

 

Ele é o cavalheiro que organiza a equipe, que a faz jogar, que se apresenta aos zagueiros & médios, que os socorre nos momentos de angústia & desespero, que os apóia nos apertos, nos apartes, nos aportes; que pede a bola, que limpa o lance, que passa a bola, que a lança - em profundidade, em diagonal, verticalmente, horizontalmente, venenosamente,  carinhosamente, afetuosamente. 

 

OUTROS SINAIS

 

Ele vê o jogo, procura o jogo, faz o jogo, dita a regra, impõe o ritmo, a cadência, a intensidade, a bossa que a brisa do brasil beija&balança. É o maestro. O regente. O tal. O homem. O cara. Que faz&acontece. É da Paraíba, não paraíba.. É soda. Como o Fócrates. Modestamente.

 

CABRA DA PESTE*

 

O amável diminutivo, Carlinhos, não esconde o filho do Norte, o guerreiro, o cabra da peste, o cabra. Tenaz, incansável, generoso, fraterno, altruísta, pronto pra servir, à mão, pau pra toda obra, é o socorro. S.O.S. AQUI DEL REY!

 

Como a Amélia, Carlinhos não tem a menor vaidade, exceto a capilar. Se preciso, não hesita: entra de carrinho, de sola, na sola, com sangue, suor, suado. É um bravo. Não enjeita parada, não tem medo de cara feia, de escuro, do escuro. Repito, é soda... como diria o Fócrates.  

 

O QUE NÃO É

 

Ele não é tipo Rivelino. Ou tipo Kaká. Não conduz a bola, não tenta ações individuais, não ousa solos, sortidas de guerrilheiro. Carlinhos não é ponta de lança. Nem apoiador; é armador. À moda antiga.

E como armador à moda antiga é muito bom.

Não só é bom como me parece o último dos moicanos. Quem ainda joga como ele

na Oropa, França, Bahia?

 

PÉ DE PÁGINA

 

* É expressão elogiosa; vá ao Aurélio. Ou ao Houaiss

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Carlinhos Paraíba, Cabra da Peste
Há 18 anos - 16/10/2008 22:01
Coluna

Por Carlos Alberto Pessôa


Fui dos que defendeu a mudança na posição do Carlinhos Paraíba - mais perto da área adversária que da nossa área. A prova dos nove foi contra o Inter; e não vingou. A melhor posição para ele é entre as intermediárias, nem tanto lá nem tanto cá. Pois é armador. Esta velha e rara raça em extinção. 

 

OLD STYLE

 

Carlinhos é meia à moda antiga, tipo Gerson, tipo Didi, tipo Jair Rosa Pinto, tipo... Infelizmente, não há espécimes contemporâneos deste singular gênero. Minha memória não registra.

 

Atenção! Não comparo; classifico apenas, lembro sua família, sua tribo, sua confraria, sua turma. O que é diferente, não?

 

SINAIS PARTICULARES 

 

Ele é o cavalheiro que organiza a equipe, que a faz jogar, que se apresenta aos zagueiros & médios, que os socorre nos momentos de angústia & desespero, que os apóia nos apertos, nos apartes, nos aportes; que pede a bola, que limpa o lance, que passa a bola, que a lança - em profundidade, em diagonal, verticalmente, horizontalmente, venenosamente,  carinhosamente, afetuosamente. 

 

OUTROS SINAIS

 

Ele vê o jogo, procura o jogo, faz o jogo, dita a regra, impõe o ritmo, a cadência, a intensidade, a bossa que a brisa do brasil beija&balança. É o maestro. O regente. O tal. O homem. O cara. Que faz&acontece. É da Paraíba, não paraíba.. É soda. Como o Fócrates. Modestamente.

 

CABRA DA PESTE*

 

O amável diminutivo, Carlinhos, não esconde o filho do Norte, o guerreiro, o cabra da peste, o cabra. Tenaz, incansável, generoso, fraterno, altruísta, pronto pra servir, à mão, pau pra toda obra, é o socorro. S.O.S. AQUI DEL REY!

 

Como a Amélia, Carlinhos não tem a menor vaidade, exceto a capilar. Se preciso, não hesita: entra de carrinho, de sola, na sola, com sangue, suor, suado. É um bravo. Não enjeita parada, não tem medo de cara feia, de escuro, do escuro. Repito, é soda... como diria o Fócrates.  

 

O QUE NÃO É

 

Ele não é tipo Rivelino. Ou tipo Kaká. Não conduz a bola, não tenta ações individuais, não ousa solos, sortidas de guerrilheiro. Carlinhos não é ponta de lança. Nem apoiador; é armador. À moda antiga.

E como armador à moda antiga é muito bom.

Não só é bom como me parece o último dos moicanos. Quem ainda joga como ele

na Oropa, França, Bahia?

 

PÉ DE PÁGINA

 

* É expressão elogiosa; vá ao Aurélio. Ou ao Houaiss