Paranaense de 1968
Há 56 anos - 11/10/1970 23:08
Paranaense de 1968

“Foi uma temporada verdadeiramente emocionante, inesquecível, marcada por fatos extraordinários e, lamentavelmente, trágicos como a morte de Jofre Cabral (Presidente do Atlético-PR na época) durante um jogo do Atlético-PR em Londrina. Sabíamos das dificuldades, mas confiávamos em nossa equipe, na sua preparação e no espírito de luta dos jogadores. Foi a garra coxa-branca e o apoio de nossa torcida que decidiram o título de 68 a nosso favor”. Evangelino da Costa Neves, no Livro "O Campeoníssimo".


Campeonato Paranaense

Campanha: 14 vitórias - 11 empates - 3 derrotas

Jogo decisivo: Coritiba 1x1 Atlético-PR

Data: 28/08/1968


Local: Vila Capanema

Time Base: Célio, Deleu (Reis), Nico, Modesto e Nilo; Lucas (Roderley) e Rossi; Oromar (Coutinho), Kosilek, Krüger (Walter) e Edson

Artilheiro da equipe: Kosilek (22 gols)


História


O Campeonato Paranaense de 1968 é considerado o melhor de todos os tempos. Ao menos a história registra grandes fatos, capazes de mexer com o sentimento do torcedor coxa-branca mais novo e resgatar na memória dos mais antigos grandes emoções.


Depois de assumir o Coritiba em 1967, uma coisa era certa, Evangelino da Costa Neves precisava montar um time competitivo para buscar o título da competição. Afinal, havia sete anos que o Coxa não ganhava o Estadual e no ano anterior o Água Verde se consagrou campeão após o Coxa perder em Londrina para o São Paulo, clube que depois passaria a se chamar Paraná.


O Atlético-PR vivia uma crise. Após ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Estadual de 1967, Jofre Cabral e Silva assumiu a presidência do clube rival e iniciou uma revolução no profissionalismo do futebol paranaense. Antes disso, Jofre pediu ajuda de seus dois maiores adversários, Coritiba e Ferroviário, que deram apoio ao rival para virar a mesa e realizar um grande Campeonato Paranaense, com times fortes e estádios cheios.


Jofre trouxe grandes nomes do futebol ao rival, que tinha um elenco no mínimo respeitável, com algumas estrelas como Bellini, Djalma Santos, Nair, Zequinha, Nilson, Zé Roberto, Dorval e outros. Os outros times também se reforçavam.


O Coritiba não ficava para trás e o presidente Evangelino também buscava reforços, mas a equipe coxa-branca apostava no entrosamento, na força de uma torcida apaixonada e na mística da camisa alviverde para buscar o título.


As torcidas dos principais times estavam empolgadas com a chegada de grandes atletas. Na época, sem poder contar com o dinheiro que vinha da venda de jogadores, já que a cultura financeira do futebol era bem diferente da atual, e sem ter o recurso vindo de patrocinadores e muito menos de cotas da televisão, a arrecadação nas bilheterias dos estádios era fundamental para a sobrevivência dos clubes.


A cidade estava vivendo o clima da competição: euforia, entusiasmo, garantia de casa cheia e de muita emoção do início ao fim marcariam aquele campeonato.


Competição


O Campeonato Paranaense seria disputado em dois turnos e a motivação que tomou conta da cidade era motivo de casa cheia.


O Coritiba não começou bem, enquanto o rival Atlético-PR terminou liderando o primeiro turno. O Verdão começou o returno empatando em 3x3 com o Paranavaí, no Alto da Glória, o que foi motivo para o técnico Helio Alves dar lugar a Fransisco Sarno.


A estréia do novo treinador, no dia 18 de maio, foi com sucesso: 3x0 no Britânia. Na partida o Coxa perdeu seu maior ídolo por alguns meses; Krüger sofreu uma fratura de perônio na perna.


Nas três últimas rodadas os rivais da dupla Atle-Tiba participaram de um duelo emocionante. Mas ao empatar em 2x2 o clássico diante do Ferroviário, com o Alto da Glória superlotado, o Coritiba venceu o returno e o título seria decidido em uma série de até três jogos contra o Atlético-PR.


No primeiro jogo da decisão o então Estádio Belfort Duarte estava lotado. O Coritiba venceu por 2x1, com gols de Oromar e Krüger, já recuperado. O resultado dava ao Coritiba a vantagem de jogar por um empate no segundo jogo para se consagrar campeão.


A segunda partida seria realizada no Estádio Durival de Britto, onde o rival mandava seus jogos. No dia 28 de agosto as cores vermelha, preta, verde e branca dividiam as esperanças na Vila Capanema.


Precisando vencer, o Atlético-PR marcou seu primeiro gol com Zé Roberto, o que levaria a decisão para uma terceira partida. O tempo se passava e a esperança da torcida coxa-branca se confundia com angustia. A torcida rival comemorava a vitória parcial e a cada minuto se enchia de esperança em levar a decisão para um terceiro jogo.


Já no fim, uma falta no lado esquerdo aumentou a esperança de alguns coxas e resgatou a dos que já não acreditavam. Os atleticanos acreditavam na força defensiva da sua equipe, comandada por Bellini. Após o apito de Arnaldo César Coelho, Nilo levantou na área, Bellini não alcançou e Paulo Vecchio cabeceou para o gol, dando números finais ao campeonato e fazendo a nação coxa-branca explodir de alegria e virar a madrugada curitibana com uma festa que marcou a cidade e o futebol do paranaense.


Colaboração: Grupo Helênicos

Paranaense de 1968
Há 56 anos - 11/10/1970 23:08
Paranaense de 1968

“Foi uma temporada verdadeiramente emocionante, inesquecível, marcada por fatos extraordinários e, lamentavelmente, trágicos como a morte de Jofre Cabral (Presidente do Atlético-PR na época) durante um jogo do Atlético-PR em Londrina. Sabíamos das dificuldades, mas confiávamos em nossa equipe, na sua preparação e no espírito de luta dos jogadores. Foi a garra coxa-branca e o apoio de nossa torcida que decidiram o título de 68 a nosso favor”. Evangelino da Costa Neves, no Livro "O Campeoníssimo".


Campeonato Paranaense

Campanha: 14 vitórias - 11 empates - 3 derrotas

Jogo decisivo: Coritiba 1x1 Atlético-PR

Data: 28/08/1968


Local: Vila Capanema

Time Base: Célio, Deleu (Reis), Nico, Modesto e Nilo; Lucas (Roderley) e Rossi; Oromar (Coutinho), Kosilek, Krüger (Walter) e Edson

Artilheiro da equipe: Kosilek (22 gols)


História


O Campeonato Paranaense de 1968 é considerado o melhor de todos os tempos. Ao menos a história registra grandes fatos, capazes de mexer com o sentimento do torcedor coxa-branca mais novo e resgatar na memória dos mais antigos grandes emoções.


Depois de assumir o Coritiba em 1967, uma coisa era certa, Evangelino da Costa Neves precisava montar um time competitivo para buscar o título da competição. Afinal, havia sete anos que o Coxa não ganhava o Estadual e no ano anterior o Água Verde se consagrou campeão após o Coxa perder em Londrina para o São Paulo, clube que depois passaria a se chamar Paraná.


O Atlético-PR vivia uma crise. Após ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Estadual de 1967, Jofre Cabral e Silva assumiu a presidência do clube rival e iniciou uma revolução no profissionalismo do futebol paranaense. Antes disso, Jofre pediu ajuda de seus dois maiores adversários, Coritiba e Ferroviário, que deram apoio ao rival para virar a mesa e realizar um grande Campeonato Paranaense, com times fortes e estádios cheios.


Jofre trouxe grandes nomes do futebol ao rival, que tinha um elenco no mínimo respeitável, com algumas estrelas como Bellini, Djalma Santos, Nair, Zequinha, Nilson, Zé Roberto, Dorval e outros. Os outros times também se reforçavam.


O Coritiba não ficava para trás e o presidente Evangelino também buscava reforços, mas a equipe coxa-branca apostava no entrosamento, na força de uma torcida apaixonada e na mística da camisa alviverde para buscar o título.


As torcidas dos principais times estavam empolgadas com a chegada de grandes atletas. Na época, sem poder contar com o dinheiro que vinha da venda de jogadores, já que a cultura financeira do futebol era bem diferente da atual, e sem ter o recurso vindo de patrocinadores e muito menos de cotas da televisão, a arrecadação nas bilheterias dos estádios era fundamental para a sobrevivência dos clubes.


A cidade estava vivendo o clima da competição: euforia, entusiasmo, garantia de casa cheia e de muita emoção do início ao fim marcariam aquele campeonato.


Competição


O Campeonato Paranaense seria disputado em dois turnos e a motivação que tomou conta da cidade era motivo de casa cheia.


O Coritiba não começou bem, enquanto o rival Atlético-PR terminou liderando o primeiro turno. O Verdão começou o returno empatando em 3x3 com o Paranavaí, no Alto da Glória, o que foi motivo para o técnico Helio Alves dar lugar a Fransisco Sarno.


A estréia do novo treinador, no dia 18 de maio, foi com sucesso: 3x0 no Britânia. Na partida o Coxa perdeu seu maior ídolo por alguns meses; Krüger sofreu uma fratura de perônio na perna.


Nas três últimas rodadas os rivais da dupla Atle-Tiba participaram de um duelo emocionante. Mas ao empatar em 2x2 o clássico diante do Ferroviário, com o Alto da Glória superlotado, o Coritiba venceu o returno e o título seria decidido em uma série de até três jogos contra o Atlético-PR.


No primeiro jogo da decisão o então Estádio Belfort Duarte estava lotado. O Coritiba venceu por 2x1, com gols de Oromar e Krüger, já recuperado. O resultado dava ao Coritiba a vantagem de jogar por um empate no segundo jogo para se consagrar campeão.


A segunda partida seria realizada no Estádio Durival de Britto, onde o rival mandava seus jogos. No dia 28 de agosto as cores vermelha, preta, verde e branca dividiam as esperanças na Vila Capanema.


Precisando vencer, o Atlético-PR marcou seu primeiro gol com Zé Roberto, o que levaria a decisão para uma terceira partida. O tempo se passava e a esperança da torcida coxa-branca se confundia com angustia. A torcida rival comemorava a vitória parcial e a cada minuto se enchia de esperança em levar a decisão para um terceiro jogo.


Já no fim, uma falta no lado esquerdo aumentou a esperança de alguns coxas e resgatou a dos que já não acreditavam. Os atleticanos acreditavam na força defensiva da sua equipe, comandada por Bellini. Após o apito de Arnaldo César Coelho, Nilo levantou na área, Bellini não alcançou e Paulo Vecchio cabeceou para o gol, dando números finais ao campeonato e fazendo a nação coxa-branca explodir de alegria e virar a madrugada curitibana com uma festa que marcou a cidade e o futebol do paranaense.


Colaboração: Grupo Helênicos