Chamusca usa experiência adquirida em carreira nacional e internacional para antecipar adaptação no Alto da Glória
O treinador Páricles Chamusca está em casa. A avaliação não serve apenas para lembrar da permanência do Coxa durante quatro dias em Salvador, na mini jornada longe da torcida alviverde. Há poucas semanas no Verdão, o baiano Chamusca já mostrou que muitas coisas irão facilitar sua adaptação na capital paranaense e, enquanto visita sua cidade natal, mata um pouco a saudades da família, lembra de algumas características que irão ajudar nesta nova realidade, dentre elas, seu perfil cosmopolita e a experiência adquirida em anos como atleta e treinador.
Ao lado do auxiliar técnico João Marcelo, a dupla baiana está em Salvador para o jogo do Coxa contra o Vitória, que acontece neste sábado, a partir das 18h30, no Barradão.
A minha carreira tem 18 anos e meu casamento já têm 17. A gente construiu essa unidade familiar.
Técnico Péricles Chamusca, natural de Salvador (BA)
Chamusca iniciou sua carreira no futebol justamente defendendo o Vitória, adversário deste sábado no Barradão. "No meu último ano como atleta da categoria sub-20 eu estava no Vitória e tinha o objetivo de continuar lá. Aí eu passei no vestibular de educação física. E nessa transição o projeto do Vitória era emprestar alguns jogadores para ganhar experiência no interior para depois voltar. E foi nesse período que ficou bem definido que eu não queria sair de Salvador, ou eu ficaria no Vitória ou seguiria outro caminho, que foi o que aconteceu", recorda o início da carreira.
O treinador coxa-branca não esconde o lado família. Ao voltar a Salvador agora defendendo as cores do Coritiba, ele pode reencontrar um dos grandes pilares da sua carreira: a família. "A minha carreira tem 18 anos e meu casamento já tem 17. A gente construiu essa unidade familiar. Tenho dois filhos (Luana e Lucas) que sempre participaram juntos, viajaram. Estiveram nesta experiência internacional de quatro anos no Japão, dois anos no Qatar. Eles sempre estiveram juntos, minhas esposa que participa do meu projeto de vida. É uma coisa diferente para ela ser esposa de um treinador de futebol. Procuro dentro desse contexto valorizar esse aspecto familiar", explica.
Sem dúvida, a experiência fora do país contribuiu para o crescimento dos filhos e do próprio treinador. "Isso deu uma visão muito interessante. Eles absorveram da cultura, principalmente do Japão, onde eles estudaram, porque primeiramente onde eu trabalhava não havia escola internacional. E depois algo totalmente diferente que é a cultura árabe. Acho que isso, mesmo eles tão jovem, dá uma visão diferente do mundo, para entender bem essa diversidade de cultura no mundo", avalia.
E a nova casa de Chamusca é o Alto da Glória. Pouco a pouco, ele se mostra entrosado com o projeto alviverde e pronto para ajudar o clube em um momento importante. "Fui muito bem recebido, a equipe de trabalho e a estrutura que o Coritiba tem a gente acredita muito", deixa a mensagem da sua primeira impressão, em manter dúvidas de que é possível ir longe. "Sempre consegui meus objetivos dentro da minha carreira, em todas as experiências que eu tive", completa.
Com apenas 29 anos, Chamusca foi o técnico mais jovem do futebol brasileiro a comandar um clube na Série A, justamente o Vitória, quando chegou à decisão do Brasileirão de 1993, diante do Palmeiras. "Em um período de três anos consegui chegar em duas finais da Copa do Brasil, com a conquista de um título. Pude brigar por uma Libertadores com o São Caetano, lutar por um título até a última rodada. Tive também outro momento forte, que foi perder um atleta dentro de campo, o Serginho em um jogo contra o São Paulo, algo muito triste que vivenciei", aponta.
Com a experiência adquirida ao longo da carreira, dentro e fora do Brasil, Chamusca quer dar continuidade na carreira profissional, buscando espaço para crescer no cenário nacional. "Escolhi uma porta que é o Coritiba, um clube organizado, com diretrizes. Lógico que é um momento tenso, onde você precisa conseguir um resultado antes da organização da equipe", diz o treinador, que espera conduzir essa parceria por um período vitorioso.
Assim, o baiano Chamusca vai se adaptando ao Coritiba, a Curitiba e a uma nova cultura, mas com o aconchego familiar sempre perto. Nada melhor do que voltar a sua terra natal e aliar o carinho do seu lar, com bom resultado no trabalho. "Já vim outras vezes para trabalho, e a passeio. Já conheço o potencial de gastronomia, o clima e toda essa atmosfera da cidade que é muito legal. Agora, particularmente, não tive tempo. Tenho trabalhado 24 horas pensando em ajustes do time, adversário. Nesse momento é 24 horas de trabalho, mas creio que em uma etapa mais pra frente será possível conhecer melhor a cidade", finaliza.
Confira um vídeo exclusivo sobre o treinador alviverde: