A obsessão pelo Tri
Coxa completa sequência de três títulos pela segunda vez em sua história. Em outras duas ocasiões, fato foi tirado do clube, que fez do Tri uma obsessão
Há 14 anos - 13/05/2012 22:43
A obsessão pelo Tri
O título conquistado pelo Coritiba neste domingo (13) dá ao clube, pela segunda vez na história, a sequência do Tricampeonato estadual. Uma busca que se tornou obsessão do Alviverde na década de 70 e que, por duas vezes, a conquista escapou de ser ostentada nas galerias do Alto da Glória por fatores extracampo. Em uma destas ocasiões, por um erro de arbitragem e em outra, no tapetão, o que prova o quanto difícil é de ser alcançado o Tri.

Talvez, até por isso, quem viveu a década de 70 saiba o quão importante é o feito conquistado agora em 2012. Em 1971-72 e 73, o título veio com vitórias sobre União Bandeirante (em 1971 e 1973) e sobre o Atlético-PR (em 1972). Agora, as conquistas em 2010-11-12, todas tiveram jogos decisivos diante do rival Atlético-PR.

Saiba mais sobre a história

Por duas vezes antes do primeiro Tri, em 1973, a sequência escapou fora dos gramados. A primeira aconteceu em 1950. O Coritiba venceu a decisão diante do Ferroviário, por 3×2, na Vila Capanema, com gol de Renatinho aos 41 minutos do segundo tempo. No entanto, dois jogadores adversários furaram a rede com os pés e disseram ao árbitro que a bola entrou por fora. No dia seguinte, o jovem fotógrafo Humberto Utrabo, que estava atrás do gol e tirou uma foto do lance, acusou que o gol foi legal.

A segunda vez foi em 1961. O Coritiba conquistou a competição numa disputa com o Operário, de Ponta Grossa, chegando até a posar com foto de Tricampeão. Mas o jogador Agapito, que estava legalmente registrado na Federação, foi vítima de uma acusação de irregularidade pelo Operário. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) deu ganho de causa ao Verdão, mas a equipe de Ponta Grossa entrou na esfera nacional e ganhou o título.

A obsessão

Assim, a conquista do Tri na década de 70 era um sonho de toda a coletividade coxa-branca. Após o título do estadual de 1970 escapar por um erro de arbitragem e quebrando a sequência de 1968-1969, o então presidente do Coritiba, Evangelino da Costa Neves, declara em seu livro o Campeoníssimo: “Nunca mais vão me ganhar título que não seja dentro do campo”. Montou times competitivos para não deixar passar em branco nenhuma conquista e ir em busca de uma grande sequência.

Após assumir o clube em 1967, Evangelino tinha no Tricampeonato seu grande sonho para a torcida coxa-branca. E pelas circunstâncias que haviam passado, se tornava uma obsessão, afinal o Coxa era dono da hegemonia estadual, mas não havia conquistado tal sequência.

Por isso, quando derrotou o União Bandeirantes no interior do estado na última rodada do quadrangular decisivo e ficou com a taça, a chegada em Curitiba foi eufórica. A delegação chegou apenas no dia seguinte, passando por Londrina, onde recebeu um almoço da TV Coroados em homenagem pela conquista. Quando o ônibus chegou em Campo Largo, uma surpresa! O povo já estava nas margens da estrada com bandeiras e camisas saudando o time. Na medida em que se aproximavam do centro da cidade a multidão ia aumentando. Parecia que toda a cidade havia saído de casa para comemorar.

“Sei que muitos imaginam que a minha maior alegria foi ter sido campeão brasileiro, mas o momento de maior êxtase foi mesmo na conquista do Tricampeonato. Foi uma conquista inédita, inusitada na história do clube e perseguida havia muitos anos por diversas gerações de coxas-brancas. No dia em que conseguimos o título brasileiro eu vibrei, é claro, mas já estava acostumado com as emoções do futebol, já estava mais calejado e recebi o feito com naturalidade e muita tranquilidade”, Evangelino Costa Neves, no livro “O Campeoníssimo”.

O novo Tri

No novo futebol muita coisa mudou, mas a obsessão por conquistas se mantém ao lado dos vencedores. O tempo não é mais o mesmo, a competitividade aumentou e a maneira responsável de tratar o esporte também cresceu. Assim, o Coritiba se preparou para, pela segunda vez, almejar seu mais novo Tricampeonato.

Tudo começou com o projeto de reestruturação alviverde em 2010, quando uma nova gestão abraçou o clube que havia caído para a Série B do Brasileiro e ainda sofrido a maior punição da história do futebol nacional. Não foi nada fácil, mas com o trabalho seguido à risca, os resultados começaram a aparecer. No futebol moderno, o Coxa precisou criar novas ferramentas de renda, ampliou seu quadro social, investiu em diversas áreas e não deixou o futebol de lado. O Bicampeonato em 2010-11 abriu as portas para coroar todo o trabalho e em 2012 um novo feito, que iguala o Coritiba do passado, mas mantém a hegemonia alviverde nos 96 anos de história de campeonatos paranaenses.

Outras grandes conquistas ainda são almejadas pelo clube, que não quer parar por aqui. "Quero dedicar este título à torcida, comissão técnica e jogadores. Em especial à Regina, minha esposa, de coração, com muito amor", declarou emocionado o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade.
A obsessão pelo Tri
Coxa completa sequência de três títulos pela segunda vez em sua história. Em outras duas ocasiões, fato foi tirado do clube, que fez do Tri uma obsessão
Há 14 anos - 13/05/2012 22:43
A obsessão pelo Tri
O título conquistado pelo Coritiba neste domingo (13) dá ao clube, pela segunda vez na história, a sequência do Tricampeonato estadual. Uma busca que se tornou obsessão do Alviverde na década de 70 e que, por duas vezes, a conquista escapou de ser ostentada nas galerias do Alto da Glória por fatores extracampo. Em uma destas ocasiões, por um erro de arbitragem e em outra, no tapetão, o que prova o quanto difícil é de ser alcançado o Tri.

Talvez, até por isso, quem viveu a década de 70 saiba o quão importante é o feito conquistado agora em 2012. Em 1971-72 e 73, o título veio com vitórias sobre União Bandeirante (em 1971 e 1973) e sobre o Atlético-PR (em 1972). Agora, as conquistas em 2010-11-12, todas tiveram jogos decisivos diante do rival Atlético-PR.

Saiba mais sobre a história

Por duas vezes antes do primeiro Tri, em 1973, a sequência escapou fora dos gramados. A primeira aconteceu em 1950. O Coritiba venceu a decisão diante do Ferroviário, por 3×2, na Vila Capanema, com gol de Renatinho aos 41 minutos do segundo tempo. No entanto, dois jogadores adversários furaram a rede com os pés e disseram ao árbitro que a bola entrou por fora. No dia seguinte, o jovem fotógrafo Humberto Utrabo, que estava atrás do gol e tirou uma foto do lance, acusou que o gol foi legal.

A segunda vez foi em 1961. O Coritiba conquistou a competição numa disputa com o Operário, de Ponta Grossa, chegando até a posar com foto de Tricampeão. Mas o jogador Agapito, que estava legalmente registrado na Federação, foi vítima de uma acusação de irregularidade pelo Operário. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) deu ganho de causa ao Verdão, mas a equipe de Ponta Grossa entrou na esfera nacional e ganhou o título.

A obsessão

Assim, a conquista do Tri na década de 70 era um sonho de toda a coletividade coxa-branca. Após o título do estadual de 1970 escapar por um erro de arbitragem e quebrando a sequência de 1968-1969, o então presidente do Coritiba, Evangelino da Costa Neves, declara em seu livro o Campeoníssimo: “Nunca mais vão me ganhar título que não seja dentro do campo”. Montou times competitivos para não deixar passar em branco nenhuma conquista e ir em busca de uma grande sequência.

Após assumir o clube em 1967, Evangelino tinha no Tricampeonato seu grande sonho para a torcida coxa-branca. E pelas circunstâncias que haviam passado, se tornava uma obsessão, afinal o Coxa era dono da hegemonia estadual, mas não havia conquistado tal sequência.

Por isso, quando derrotou o União Bandeirantes no interior do estado na última rodada do quadrangular decisivo e ficou com a taça, a chegada em Curitiba foi eufórica. A delegação chegou apenas no dia seguinte, passando por Londrina, onde recebeu um almoço da TV Coroados em homenagem pela conquista. Quando o ônibus chegou em Campo Largo, uma surpresa! O povo já estava nas margens da estrada com bandeiras e camisas saudando o time. Na medida em que se aproximavam do centro da cidade a multidão ia aumentando. Parecia que toda a cidade havia saído de casa para comemorar.

“Sei que muitos imaginam que a minha maior alegria foi ter sido campeão brasileiro, mas o momento de maior êxtase foi mesmo na conquista do Tricampeonato. Foi uma conquista inédita, inusitada na história do clube e perseguida havia muitos anos por diversas gerações de coxas-brancas. No dia em que conseguimos o título brasileiro eu vibrei, é claro, mas já estava acostumado com as emoções do futebol, já estava mais calejado e recebi o feito com naturalidade e muita tranquilidade”, Evangelino Costa Neves, no livro “O Campeoníssimo”.

O novo Tri

No novo futebol muita coisa mudou, mas a obsessão por conquistas se mantém ao lado dos vencedores. O tempo não é mais o mesmo, a competitividade aumentou e a maneira responsável de tratar o esporte também cresceu. Assim, o Coritiba se preparou para, pela segunda vez, almejar seu mais novo Tricampeonato.

Tudo começou com o projeto de reestruturação alviverde em 2010, quando uma nova gestão abraçou o clube que havia caído para a Série B do Brasileiro e ainda sofrido a maior punição da história do futebol nacional. Não foi nada fácil, mas com o trabalho seguido à risca, os resultados começaram a aparecer. No futebol moderno, o Coxa precisou criar novas ferramentas de renda, ampliou seu quadro social, investiu em diversas áreas e não deixou o futebol de lado. O Bicampeonato em 2010-11 abriu as portas para coroar todo o trabalho e em 2012 um novo feito, que iguala o Coritiba do passado, mas mantém a hegemonia alviverde nos 96 anos de história de campeonatos paranaenses.

Outras grandes conquistas ainda são almejadas pelo clube, que não quer parar por aqui. "Quero dedicar este título à torcida, comissão técnica e jogadores. Em especial à Regina, minha esposa, de coração, com muito amor", declarou emocionado o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade.