Confira o artigo do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, publicado na Gazeta do Povo na edição de domingo. Texto fala sobre o futuro do futebol no Brasil.
Há 14 anos - 19/03/2012 11:00
O jornal Gazeta do Povo publicou um artigo assinado pelo presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, no caderno de esportes deste domingo (18). O texto fala sobre o futuro do futebol no país e seus desdobramentos.
Confira o texto na íntegra:
O futuro está atrasado
As recentes mudanças na cúpula do futebol brasileiro e a preparação do Brasil para a Copa de 2014, com todos os desafios pela frente, oferecem uma oportunidade muito importante para refletirmos sobre o futuro do nosso futebol. As alterações necessárias que poderão surgir, nos próximos anos, de modo geral, vão depender do papel que os clubes vão desempenhar no processo de reorganização da CBF e do grau de sucesso da Copa de 2014.
Nós, dirigentes de clubes, temos grande responsabilidade nesse processo. A elevação da qualidade do nosso futebol, a melhoria da infraestrutura nos estádios, a profissionalização das administrações, a redução da violência das torcidas organizadas, o fortalecimento das políticas de formação de atletas nas bases, entre muitas coisas que precisamos melhorar, só vão acontecer, como um todo, se houver uma mudança significativa de mentalidade da linha dirigente. Só com uma nova e apurada visão sobre nossos problemas e buscar soluções efetivas é que poderemos, por exemplo, eliminar de vez questões crônicas como os regionalismos distorcidos, a constante situação de penúria dos clubes menores e a pouca presença do público, especialmente das famílias, em nossos estádios.
O Coritiba tem procurado contribuir com sua parte, partindo do pressuposto de que, se não arrumarmos nossa casa primeiro, não teremos moral e nem força para ajudar a construir um futebol sólido, no Brasil. Desde o rebaixamento da equipe para a Segunda Divisão e todas as penalidades e prejuízos que sofremos, em dezembro de 2009, estamos buscando com muito esforço novos caminhos, para consolidar uma nova forma de ver o futebol.
Temos procurado trabalhar com a visão de que só teremos um futuro melhor se mantivermos, de forma permanente, uma equipe unida e competitiva dentro de campo; e uma administração planejada e competente fora dele. Convivemos, é claro, com os altos e baixos dos resultados dentro de campo; é da natureza de nossa atividade; mas isso nunca deve ser motivo para desanimarmos. Se o time não dá o resultado que esperamos, temos que buscar soluções. Possuímos ainda deficiências, temos muito a aprender, mas tenho certeza de que, no Coritiba, demos um salto de qualidade.
Na vida, nada se constrói sem determinação, honestidade, harmonia e seriedade. No caso do futebol, isto vale para os clubes e suas entidades em todas as instâncias. Para corrigir os erros do passado, temos que lutar para que esta nova mentalidade seja preponderante entre todos que acreditam que é isto realmente que mudará o futebol brasileiro. Não creio em outra solução, pensando na seguinte frase do estadista inglês Winston Churchill: “Os homens tropeçam por vezes na verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, como se nada tivesse acontecido.”
Buscar as mudanças necessárias para o futebol brasileiro significa, em última análise, lançar os olhos sobre o que está sendo e o que poderá vir a ser a sociedade brasileira, no contexto globalizado. Assim, não podemos tropeçar nas verdades que aparecem em nossos caminhos e simplesmente prosseguir. Temos que enfrentá-las. E enfrentá-las requer sempre uma nova mentalidade.
Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Conselho de Administração do Coritiba Foot Ball Club
"O futuro está atrasado"
Confira o artigo do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, publicado na Gazeta do Povo na edição de domingo. Texto fala sobre o futuro do futebol no Brasil.
Há 14 anos - 19/03/2012 11:00
O jornal Gazeta do Povo publicou um artigo assinado pelo presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, no caderno de esportes deste domingo (18). O texto fala sobre o futuro do futebol no país e seus desdobramentos.
Confira o texto na íntegra:
O futuro está atrasado
As recentes mudanças na cúpula do futebol brasileiro e a preparação do Brasil para a Copa de 2014, com todos os desafios pela frente, oferecem uma oportunidade muito importante para refletirmos sobre o futuro do nosso futebol. As alterações necessárias que poderão surgir, nos próximos anos, de modo geral, vão depender do papel que os clubes vão desempenhar no processo de reorganização da CBF e do grau de sucesso da Copa de 2014.
Nós, dirigentes de clubes, temos grande responsabilidade nesse processo. A elevação da qualidade do nosso futebol, a melhoria da infraestrutura nos estádios, a profissionalização das administrações, a redução da violência das torcidas organizadas, o fortalecimento das políticas de formação de atletas nas bases, entre muitas coisas que precisamos melhorar, só vão acontecer, como um todo, se houver uma mudança significativa de mentalidade da linha dirigente. Só com uma nova e apurada visão sobre nossos problemas e buscar soluções efetivas é que poderemos, por exemplo, eliminar de vez questões crônicas como os regionalismos distorcidos, a constante situação de penúria dos clubes menores e a pouca presença do público, especialmente das famílias, em nossos estádios.
O Coritiba tem procurado contribuir com sua parte, partindo do pressuposto de que, se não arrumarmos nossa casa primeiro, não teremos moral e nem força para ajudar a construir um futebol sólido, no Brasil. Desde o rebaixamento da equipe para a Segunda Divisão e todas as penalidades e prejuízos que sofremos, em dezembro de 2009, estamos buscando com muito esforço novos caminhos, para consolidar uma nova forma de ver o futebol.
Temos procurado trabalhar com a visão de que só teremos um futuro melhor se mantivermos, de forma permanente, uma equipe unida e competitiva dentro de campo; e uma administração planejada e competente fora dele. Convivemos, é claro, com os altos e baixos dos resultados dentro de campo; é da natureza de nossa atividade; mas isso nunca deve ser motivo para desanimarmos. Se o time não dá o resultado que esperamos, temos que buscar soluções. Possuímos ainda deficiências, temos muito a aprender, mas tenho certeza de que, no Coritiba, demos um salto de qualidade.
Na vida, nada se constrói sem determinação, honestidade, harmonia e seriedade. No caso do futebol, isto vale para os clubes e suas entidades em todas as instâncias. Para corrigir os erros do passado, temos que lutar para que esta nova mentalidade seja preponderante entre todos que acreditam que é isto realmente que mudará o futebol brasileiro. Não creio em outra solução, pensando na seguinte frase do estadista inglês Winston Churchill: “Os homens tropeçam por vezes na verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, como se nada tivesse acontecido.”
Buscar as mudanças necessárias para o futebol brasileiro significa, em última análise, lançar os olhos sobre o que está sendo e o que poderá vir a ser a sociedade brasileira, no contexto globalizado. Assim, não podemos tropeçar nas verdades que aparecem em nossos caminhos e simplesmente prosseguir. Temos que enfrentá-las. E enfrentá-las requer sempre uma nova mentalidade.
Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Conselho de Administração do Coritiba Foot Ball Club